Uma em cada três instituições criadas para promover a igualdade de gênero perdeu poder em dois anos

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O Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026, divulgado nesta quinta (17) pela ONU Mulheres e pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA), mostra que, nos lugares onde as mulheres detêm poder real, os resultados melhoram em todas as dimensões da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, desde a paz até a educação e da pobreza até a ação climática. No entanto, as próprias instituições construídas ao longo de décadas para promover a igualdade de gênero estão sendo sistematicamente enfraquecidas, paralisadas ou desmanteladas, justamente no momento em que o mundo não pode se dar ao luxo de retroceder.

Panorama de Gênero 2026

As conclusões do Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 revelam um retrocesso político em relação à igualdade de gênero que é transversal, mensurável e cada vez mais grave:

  • Um em cada três mecanismos institucionais para a igualdade de gênero sofreu uma erosão institucional nos últimos dois anos.
  • Cerca de uma em cada quatro instituições dedicadas à igualdade de gênero teve seu orçamento operacional reduzido no mesmo período. Quase uma em cada dez perdeu totalmente o controle sobre seu orçamento.
  • O financiamento para a igualdade de gênero caiu para seu nível mais baixo desde 2021, sendo o financiamento para organizações de direitos das mulheres o mais afetado.
  • Em meio aos cortes de financiamento, 42% das entidades da ONU relatam um enfraquecimento de seus esforços em prol da igualdade de gênero.

A concentração do poder político continua acentuada: seis em cada sete países são liderados por homens. As mulheres continuam enfrentando barreiras sistêmicas em todas as etapas. O custo de uma candidatura a um cargo público pode ultrapassar 100 vezes a renda per capita média de um país, o que exclui muitas mulheres antes mesmo do início da disputa. Em alguns países, até oito em cada dez mulheres que concorrem a um cargo público enfrentam violência na vida pública. E quando as mulheres chegam ao governo, ainda são desviadas de forma desproporcional das áreas que detêm maior poder econômico e de segurança. Quase nove em cada dez ministros da área de defesa e mais de oito em cada dez ministros da área de finanças são homens.

À medida que as mulheres continuam enfrentando barreiras à participação e influência, décadas de conquistas políticas e jurídicas em matéria de igualdade de gênero estão sendo cada vez mais contestadas e, em alguns casos, desmanteladas. Nenhum indicador do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável para a Igualdade de Gênero (ODS 5) está no caminho certo para ser alcançado até 2030.

"As evidências são claras: quando as mulheres lideram, as sociedades ficam mais fortes, as economias são mais resilientes e os resultados são melhores para todos. No entanto, enquanto o poder permanecer concentrado em instituições que excluem sistematicamente as mulheres, as sociedades continuam aquém de seu pleno potencial. A igualdade não pode ser alcançada sem acesso igualitário ao poder, porque igualdade sem poder não é igualdade alguma", afirmou a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous. 

"Os dados não deixam margem para ambiguidade: no ritmo atual, ainda faltam 171 anos para alcançarmos a igualdade de gênero. O que o Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 mostra é que isso não é inevitável, é o resultado de escolhas, tornadas visíveis por meio dos dados. Investir na igualdade de gênero, nas instituições e nos sistemas estatísticos que as responsabilizam não é um custo. É o caminho mais rápido de volta à promessa da Agenda 2030 de poder igual para todos", afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, Li Junhua.

Esse padrão se estende além do governo. As mulheres ocupam apenas 6% dos cargos de diretora executiva em empresas em todo o mundo e lideram menos de 20% dos tribunais superiores, deixando as decisões que moldam os negócios, o sistema jurídico, o emprego e a economia global predominantemente nas mãos dos homens.

As conclusões do relatório surgem em um momento decisivo para o sistema multilateral. Os líderes mundiais estão se reunindo para a 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU (UNGA81), enquanto a Organização das Nações Unidas se prepara para eleger seu décimo secretário-geral, cargo que nenhuma mulher ocupou nos 80 anos de história da ONU.

Enquanto os governos debatem o futuro do multilateralismo, o Relatório sobre o Panorama de Gênero 2026 argumenta que nenhuma visão para o futuro do mundo é aceitável sem que mulheres e meninas tenham participação igualitária no poder para moldá-la.

A ONU Mulheres e o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) cobram uma reversão do retrocesso político em relação à igualdade de gênero e que o poder seja compartilhado de forma mais equitativa. Isso significa garantir que as mulheres tenham voz igualitária nas decisões políticas e econômicas, financiar adequadamente as instituições de igualdade de gênero, proteger as organizações de direitos das mulheres e o espaço cívico, e assegurar que as mulheres tenham poder igualitário para moldar as decisões que afetam as economias, a paz e a segurança, a tecnologia e a vida pública.

Para saber mais, acesse o relatório completo na página global da ONU Mulheres e siga @onumulheresbr nas redes sociais!

Nota para editores

O Relatório sobre o Panorama de Gênero é a principal fonte mundial de dados sobre igualdade de gênero e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Com base em mais de 100 fontes de dados, ele acompanha o progresso das mulheres e meninas em todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Os dados referem-se a todos os mecanismos de igualdade de gênero. Os mecanismos institucionais para a igualdade de gênero, ou mecanismos de igualdade de gênero, referem-se a estruturas estatais encarregadas de promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas (por exemplo, "Ministério do Desenvolvimento da Mulher e da Criança", "Diretoria de Igualdade de Gênero"). Esses mecanismos são responsáveis por promover os direitos, a condição social e o bem-estar de mulheres e meninas, bem como por combater normas de gênero discriminatórias.