ONU Mulheres promove rodas de conversa sobre violência em Roraima

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No mês em que se comemora os 16 anos da Lei Maria da Penha, programa conjunto Moverse realizou série de ações para informação sobre o tema Roda de conversa realizada com mulheres migrantes e refugiadas no abrigo Waraotuma a Tuaranoko (Foto: ONU Mulheres Brasil / Divulgação) Em agosto, a Lei Maria da Penha completou 16 anos. Para reforçar a importância do enfrentamento da violência contra mulheres, a ONU Mulheres, a partir do programa conjunto Moverse, promoveu uma série de ações voltadas para a divulgação de informações e mobilização da sociedade sobre o tema. A última atividade foi promovida na última semana do mês e teve a participação de mulheres indígenas da etnia Warao. Em uma roda de conversa, elas receberam informação e compartilharam experiências sobre o direito de acesso ao trabalho digno e a uma vida livre de violência. O objetivo da atividade foi dar visibilidade ao tema da violência patrimonial e a importância do empoderamento econômico de mulheres. A ação também buscou provocar a reflexão sobre a necessidade de mudanças e de redução dos índices de violência. A roda de conversa foi realizada no dia 29 de agosto, no abrigo indígena Waraotuma a Tuaranoko. Erika Hurtado Gonzáles, consultora da ONU Mulheres que mediou a atividade, também usou o momento para falar sobrea história da Lei Maria da Penha. Ela também ressaltou que a violência patrimonial figura na lei como uma das das cinco categorias de violências contra a mulher em ambiente doméstico e familiar. “Foi apresentado o que é a lei Maria da Penha e como ela funciona no Brasil. Falamos um pouco da história desta lei, pois, muitas não sabem, mas as mulheres migrantes e refugiadas também estão respaldadas pela lei e que hoje temos toda uma rede de apoio para atender os casos de violência”, ressalta. A Consultora Erika Hurtado explicou sobre a Lei Maria da Penha (Foto: ONU Mulheres Brasil / Lairyne Oliveira) A violência patrimonial é muitas vezes naturalizada, e precisa ser mais discutida. “Nossas ações envolvem o empoderamento econômico e por isso focamos em conscientizar essas mulheres sobre alguns tipos de violência, dentre elas a violência patrimonial, que tem a ver com a nossa frente de trabalho. A violência patrimonial não é muito discutida então falamos o que significa, quais ações específicas que são consideradas parte dessa violência, tudo a partir da experiência dessas mulheres e das reflexões que elas têm”, explicou Erika. Ela também ressaltou que toda forma de violência deve ser denunciada e existem várias opções de ajuda. “Nós mostramos que tem como denunciar qualquer caso de violência e um ponto muito importante é sobre o apoio que uma mulher pode dar a outra, sobre ter empatia e também solidariedade.” As atividades contaram com o apoio da AVSI e com a orientação e o apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Agosto Lilás - A proposta das rodas de conversas surgiu em alusão ao Agosto Lilás, mês nacional de sensibilização e conscientização sobre a violência contra mulheres, assim como as formas e mecanismos de proteção e denúncia existentes. O mês alusivo foi proposto no Projeto de Lei (PL) 3.855/2020, já aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, e encaminhado para sanção presidencial no último dia 19 de agosto. Ao participar de ações como essas, as mulheres compartilham percepções sobre as causas e efeitos da violência domésticae discutem sobre como acessar equipamentos públicos e redes de apoio às sobreviventes. Meury esteve na roda de conversa e deu sua opinião sobre o assunto. “Esse é um tema muito importante porque aprendemos sobre a violência contra a mulher. É muito saber sobre as leis do Brasil e qualquer agressão podemos denunciar”, finalizou. Além do abrigo indígena Waraotuma a Tuaranoko, também receberam a roda re conversa a Ocupação espontânea Aprisco, o abrigo Rondon 5, a ocupação espontânea Igreja Quadrangular e o Abrigo Pricumã. Sobre o Moverse - Iniciado em setembro de 2021, o programa conjunto Moverse - Empoderamento Econômico de Mulheres Refugiadas e Migrantes no Brasil é implementado por ONU Mulheres, Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), com o apoio do Governo de Luxemburgo. O objetivo geral do programa, com duração até dezembro de 2023, é garantir que políticas e estratégias de governos, empresas e instituições públicas e privadas fortaleçam os direitos econômicos e as oportunidades de desenvolvimento entre venezuelanas refugiadas e migrantes. Para alcançar esse objetivo, a iniciativa é construída em três frentes. A primeira trabalha diretamente com empresas, instituições e governos nos temas e ações ligadas a trabalho decente, proteção social e empreendedorismo. A segunda aborda diretamente mulheres refugiadas e migrantes, para que tenham acesso a capacitações e a oportunidades para participar de processos de tomada de decisões ligadas ao mercado laboral e ao empreendedorismo. E a terceira frente trabalha também com refugiadas e migrantes, para que tenham conhecimento e acesso a serviços de resposta à violência baseada em gênero. Para receber mais informações sobre o Moverse, cadastre-se na newsletter do programa em http://eepurl.com/hWgjiL