ONU Mulheres colabora com governo brasileiro em Diretrizes de Proteção às Mulheres e Meninas em Situações de Emergências Climáticas
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O escritório de ONU Mulheres no Brasil colaborou com o Ministério das Mulheres na elaboração do documento “Diretrizes de Proteção às Mulheres e Meninas em Situações de Emergências Climáticas”. A publicação foi enviada para o governo do Rio Grande do Sul e entidades do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher.
O documento contém recomendações para o atendimento a mulheres e meninas que sofreram o impacto direto ou indireto das inundações no estado. Esse público inclui mulheres e meninas em áreas atingidas, deslocadas, em abrigos temporários ou acolhidas em casas de familiares e amigos, além daquelas que estão em áreas não diretamente atingidas e que continuam a viver em suas casas, mas sofrem as consequências das catástrofes e da desigualdade de gênero agravada pelos impactos das crises.
A proposta é que as diretrizes sejam aplicadas por órgãos governamentais e de participação e controle social; profissionais de serviços no atendimento a mulheres e meninas em situação de violência de gênero, organizações da sociedade civil e voluntários. Pode ser adequado a situações, levando em consideração as características geográficas, climáticas e populacionais, além das desigualdades de gênero, raça, etnia e econômica.
Documento Completo: Diretrizes de Proteção às Mulheres e Meninas em Situações de Emergências Climáticas
"Diante do impacto da emergência climática e da destacada dimensão interseccional de gênero em desastres ambientais em diferentes partes do mundo, a ONU Mulheres colaborou com protocolos e soluções comprovadas para a proteção de mulheres e meninas em sua diversidade. Nossa contribuição reflete a experiência em contextos de deslocamentos provocados por desastres climáticos em diferentes continentes, por exemplo, e nos compromissos internacionais estabelecidos. O Brasil pode aplicar este conhecimento para oferecer a melhor resposta possível diante de uma situação tão desafiadora como a do Rio Grande do Sul que pode ser adaptada a diferentes contextos no país”, afirma a representante Interina da ONU Mulheres no Brasil, Ana Carolina Querino.
“O documento aponta que, durante crises climáticas e humanitárias, todas as pessoas são afetadas, mas em razão das desigualdades de gênero, do racismo estrutural e das desigualdades econômicas, as mulheres e meninas em suas diversidades sofrem suas consequências com mais intensidade, sofrendo restrições a seus direitos, maiores obstáculos para acesso a serviços e recursos para sua sobrevivência”, afirma a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.
Contribuíram com a elaboração das diretrizes as seguintes entidades ligadas ao Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDM-RS): Associação das Mulheres de Carreira Jurídica do RS (ABMCJ/RS); Defensoria Pública do Estado do RS (DPE/RS); Fórum Estadual de Mulheres; Central Única dos Trabalhadores (CUT); Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH); DPM/CRM; Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM POA); CMA - Comissão da Mulher Advogada da OAB/RS; CDH - Comissão de Direitos Humanos da OAB/RS; Levante Feminista Contra o Feminicidio, Lesbocídio e Transfeminicidio; Querela Jornalistas Feministas; Coletivo Feminino Plural; A Outra Clínica; Centro de Referência Indígena do RS (CRIA-RS); Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem Brasil); União Brasileira de Mulheres (UBM-RS) e Instituto Rosa Del’ Este.
Sobre as diretrizes
Ao todo, o documento traz oito seções com recomendações específicas para cada:
- Ações de resgate e salvamento;
- Atendimento pós-resgate e salvamento;
- Encaminhamento para serviços e suporte;
- Atendimento para mulheres e meninas em situação de violência baseada em gênero;
- Garantia de acesso a serviços e benefícios para todas a mulheres afetadas pela crise;
- Atendimento especial dos canais do Ministério das Mulheres e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania;
- Canais alternativos para auxiliar mulheres e meninas em situação de violência baseada em gênero;
- Governança.