Ações para acelerar a igualdade de gênero para TODAS as mulheres e meninas
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Foto: ONU Mulheres/Rossana Fraga
Em 1995, o mundo se uniu em torno da Plataforma de Ação de Pequim — um plano revolucionário para a igualdade de gênero que abriu caminho para mudanças em larga escala. De leis que protegem as mulheres contra a violência doméstica a programas que empoderam mulheres e meninas, a Plataforma de Ação de Pequim continua moldando nosso mundo e pavimentando o caminho para um futuro justo e igualitário para TODAS as mulheres e meninas.
Trinta anos de ação transformaram os direitos das mulheres globalmente, mostrando que o progresso é possível. Desde 1995, a proporção de mulheres nos parlamentos mais que dobrou, as taxas de casamento infantil caíram e mais mulheres têm acesso à licença-maternidade, subsídios para apoio infantil, seguro-desemprego e planos de aposentadoria — medidas essenciais para reduzir a pobreza e aumentar a segurança econômica.
A educação foi o setor com os maiores avanços para mulheres e meninas desde 1995, com um número recorde de meninas na escola. As proteções legais também se expandiram: antes da Plataforma de Ação de Pequim, apenas 19 países tinham leis protegendo as mulheres contra a violência; hoje, esse número subiu para 152. No entanto, sistemas políticos frágeis, a falta crônica de financiamento e crises recorrentes têm desacelerado o progresso e, com frequência, provocado retrocessos.
O mais recente relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas mostra que, se as coisas continuarem como estão, uma menina nascida hoje terá 39 anos antes que as mulheres ocupem tantas cadeiras no parlamento quanto os homens, e 68 anos antes de testemunhar o fim do casamento infantil. E isso é apenas a ponta do iceberg. A participação das mulheres na força de trabalho praticamente não mudou e está estagnada há 20 anos: em 2022, 63% das mulheres e 92% dos homens faziam parte da força de trabalho, comparado a 64% e 94% respectivamente em 2002 [1].
Razões para ter esperança: Avanços-chave nos direitos das mulheres
O relatório do Secretário-Geral da ONU acompanha o progresso em 159 países nos últimos cinco anos, destacando onde avançamos e onde ainda há trabalho a ser feito.Sinais de progresso em números:
- Violência contra mulheres: 90% dos países relataram o fortalecimento das leis sobre violência de gênero, sua implementação e aplicação, um aumento em relação aos 83% em 2019.
- Pobreza: 79% dos países relataram esforços para fortalecer sistemas de proteção social — como licença-maternidade, transferências de renda, sistemas de aposentadoria e outras políticas essenciais para reduzir a pobreza e impulsionar o empoderamento econômico das mulheres — um aumento em relação aos 70% em 2019.
- Direitos das meninas: 70% dos Estados-membros priorizaram ações para ampliar o acesso das meninas à educação, um crescimento em relação aos 61% em 2019.
- Mulheres na liderança: 38% dos países relataram medidas para prevenir e investigar casos de violência contra mulheres na vida pública — mais do que o dobro do percentual registrado em 2019.
- Acesso à terra e recursos: 48% dos países relataram ações para ampliar o acesso das mulheres à terra, água, energia e outros recursos naturais, um aumento de 10 pontos percentuais em relação a 2019.
- Mulheres em contextos de crise: 43% dos países adotaram abordagens sensíveis ao gênero para a ação humanitária e resposta a crises, em comparação com 40% em 2019.
- Trabalho de cuidado não remunerado: O número de países que relataram oferecer serviços de cuidado para pessoas idosas aumentou de 46% em 2019 para 66% em 2024. Essa é uma medida essencial para liberar o tempo das mulheres, que ainda realizam grande parte do trabalho de cuidado e comunitário sem remuneração.
O que está atrasando a igualdade de gênero?
Apesar dos avanços, desafios significativos continuam dificultando o progresso rumo à igualdade de gênero. De acordo com o relatório do Secretário-Geral, estes são os principais obstáculos que exigem atenção urgente para cumprir os compromissos da Plataforma de Ação de Pequim:- Choques econômicos e climáticos, a pandemia de COVID-19 e conflitos. Essas crises atrasaram os esforços pela igualdade de gênero nos últimos cinco anos. Durante os lockdowns da pandemia, a violência doméstica aumentou, enquanto conflitos e a emergência climática continuam afetando desproporcionalmente milhões de mulheres e meninas em todo o mundo. Em 2023, foram registrados mais de 170 conflitos armados, com cerca de 612 milhões de mulheres e meninas vivendo a menos de 50 quilômetros dessas zonas — mais do que o dobro do número registrado em 2010. E, à medida que a crise climática se agrava, mais 158,3 milhões de mulheres e meninas podem ser empurradas para a pobreza até 2050.
- Reação antifeminista e "fadiga de gênero": Nos últimos anos, movimentos anti-direitos ganharam força com leis discriminatórias que restringem o acesso das mulheres a serviços de saúde sexual e reprodutiva, além de enfraquecer proteções legais contra a violência de gênero. Mulheres na política e na vida pública enfrentam mais ameaças, e o espaço para que mulheres e meninas se manifestem e cobrem líderes está encolhendo em um ritmo alarmante.
- Falta de financiamento para a igualdade de gênero: Leis no papel não mudam vidas — o progresso real exige investimentos concretos para que essas leis e políticas se tornem realidade. No entanto, o financiamento para a igualdade de gênero está em declínio. Medidas de austeridade e o aumento das dívidas, especialmente nos países mais pobres, levaram a cortes em serviços essenciais como saúde e educação. Apenas 4% do total da ajuda bilateral foi destinado a programas cujo principal objetivo era a igualdade de gênero em 2022. O apoio a organizações de direitos das mulheres e a instituições governamentais também está diminuindo: entre 2021 e 2022, o financiamento para organizações de direitos das mulheres caiu um terço, para uma média de US$ 596 milhões por ano, abaixo dos US$ 867 milhões em 2019–2020. Corpos nacionais de igualdade de gênero estão sendo desfinanciados, enfraquecidos ou desmantelados, deixando-os sem poder, capacidade ou recursos para atuar, o que agrava ainda mais as crises.
- Mudanças populacionais: O rápido crescimento populacional na África Subsaariana e em partes da Ásia, América Latina e Caribe está pressionando os serviços públicos — como saúde, educação e serviços de saúde sexual e reprodutiva — em regiões onde os governos já enfrentavam dificuldades para atender à população. Em outras partes do mundo, como Europa e Japão, o envelhecimento populacional está aumentando a carga de trabalho de cuidado não remunerado que recai sobre mulheres e meninas, ampliando a disparidade de gênero.