Cinco coisas que você precisa saber sobre mulheres e esporte
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O esporte feminino vive uma sequência vitoriosa, atingindo novos patamares e quebrando recordes. Das Olimpíadas de 2024, que alcançaram paridade de gênero, à audiência crescente do esporte feminino, há muito a celebrar e a explorar. Ainda assim, várias lacunas de gênero permanecem. Cinco pontos centrais para entender:
1. O esporte feminino está crescendo
O esporte feminino vem alcançando audiências sem precedentes em todo o mundo. Cerca de metade da população global acompanhou esportes femininos em 2024, contra 45% em 2022. Só nos Estados Unidos, as audiências consumiram 46 bilhões de minutos de cobertura de esporte feminino em 2025.
Grandes eventos também atraem públicos e audiências recordes. Mais de 82 mil torcedoras e torcedores estiveram na final da Copa do Mundo de Rúgbi Feminino de 2025 em Twickenham, enquanto a final da Copa do Mundo Feminina de Críquete ICC India 2025 reuniu 185 milhões de espectadores, o mesmo nível da final masculina da Copa do Mundo T20 de Críquete em 2024.
Marcos institucionais também estão remodelando o esporte global. Pela primeira vez na história, Paris 2024 foi a primeira Olimpíada com paridade de gênero na participação de atletas, enquanto a representação nos Jogos Paralímpicos chegou a 44%. Esse avanço evidencia a trajetória extraordinária do esporte feminino desde os primeiros jogos modernos com atletas mulheres em 1900, quando elas representavam apenas 2,2% dos competidores.
2. Meninas que praticam esporte colhem benefícios para a vida toda
Meninas que praticam esporte tendem a permanecer mais tempo na escola, adiar a gravidez e conseguir empregos melhores. Praticar esporte aumenta a confiança, a resiliência e as habilidades de trabalho em equipe. Esses benefícios se estendem à vida cotidiana, capacitando-as a tomar a iniciativa e tentar coisas que nunca imaginaram ser possíveis.
Uma pesquisa recente apontou que 80% das CEOs mulheres das empresas da Fortune 500 praticaram esporte na infância e adolescência, evidenciando o impacto da exposição precoce ao esporte no desenvolvimento de jovens mulheres. Um relatório da Deloitte de 2023 também revelou que 85% das mulheres entrevistadas que praticaram esporte na infância acreditam que as habilidades desenvolvidas foram cruciais para o sucesso profissional. Esse número sobe para 91% entre as mulheres em cargos de liderança e 93% entre aquelas que ganham 100 mil dólares ou mais. Além disso, 92% das audiências globais concordam que é importante que meninas pratiquem esporte, sendo 61% que consideram “muito importante”.
Apesar dos dados positivos, meninas abandonam o esporte aos 14 anos a uma taxa duas vezes maior que a dos meninos, devido a expectativas sociais, falta de investimento em programas de qualidade e outros fatores. Por exemplo, 21% das atletas profissionais relataram ter sofrido abuso sexual ao menos uma vez quando eram crianças no esporte, contra 11% dos atletas homens. Os esforços para registrar e responder a esses casos vêm crescendo no mundo todo, mas persistem lacunas sobre a magnitude e a prevalência da violência no esporte, e as iniciativas de prevenção muitas vezes faltam.
3. Atletas mulheres são referências de grande impacto
Visibilidade importa. Embora a cobertura midiática de atletas mulheres tenha crescido, elas ainda recebem muito menos espaço (apenas 16% da cobertura esportiva total) do que seus colegas homens. Ampliar a visibilidade das atletas é essencial para oferecer mais referências no esporte, capazes de inspirar meninas a continuarem jogando.
Só no Reino Unido, o esporte feminino alcançou um recorde de 48 milhões de espectadores em 2025 e ultrapassou 10 mil horas de transmissão pela primeira vez. Ainda assim, mesmo respondendo por apenas 8% da cobertura esportiva em horário nobre em 2025, o esporte feminino gerou 13% de todas as horas assistidas em horário nobre, mostrando que as audiências estão de fato acompanhando quando o esporte feminino recebe visibilidade.
Atletas mulheres também se tornam figuras culturais cada vez mais influentes. Pesquisas mostram que 88% dos fãs de esporte consideram atletas profissionais mulheres como modelos de grande impacto para jovens mulheres. Há ainda um imperativo comercial: o público é três vezes mais propenso a comprar um produto recomendado por uma atleta mulher do que por outros tipos de influenciadores. Segundo a World Athletics, atletas mulheres têm um número de seguidores em redes sociais 14% maior do que o dos atletas homens, e seguem acumulando interesse online. Dados do Google Trends de 2025 mostraram grandes picos de busca por basquete, futebol, rúgbi e críquete femininos naquele ano, com o público recorrendo cada vez mais às plataformas digitais para acompanhar atletas, times e competições femininas.
4. As mulheres lideram o futuro do esporte
Mulheres vêm assumindo mais cargos de liderança no mundo do esporte, impulsionando políticas melhores e maior investimento. Essa liderança tem produzido recordes de público e de cobertura em eventos esportivos femininos e ampliado a atenção às demandas das mulheres, da redução da diferença salarial ao enfrentamento de diversas formas de violência e abuso.
Apesar dos avanços, persistem barreiras e vieses de gênero. Segundo a pesquisa mais recente, de 2026, da Sport Integrity Global Alliance, apenas 32% dos cargos executivos nas federações esportivas internacionais são ocupados por mulheres. O mesmo estudo apontou que, das 30 Federações Esportivas Internacionais analisadas, apenas três tinham mulheres na presidência.
No Comitê Olímpico Internacional, 41% dos membros são mulheres, com maior diversidade de idade e representação regional. A representação paritária de gênero nas comissões do COI foi alcançada em 2022, um marco histórico e um aumento de 100% desde 2013.
O número de mulheres no Conselho da World Athletics cresceu de oito para 13, incluindo uma vice-presidente sênior, alcançando a paridade quatro anos antes da meta estabelecida para 2027. Há ainda a meta de aumentar para pelo menos 20% o número de mulheres técnicas até o Campeonato Mundial de Atletismo de Tóquio 2025.
No entanto, lacunas importantes persistem entre comissões técnicas e cargos de liderança no entorno dos e das atletas. Embora Paris 2024 tenha marcado avanços importantes, a presença de mulheres em funções como Chef de Mission, oficial técnica e técnica esportiva segue notavelmente baixa. Em Tóquio 2020, apenas 13% dos treinadores eram mulheres, e a FIFA estima que mulheres representam apenas cerca de 5% dos técnicos de futebol registrados no mundo.
5. Jogo igual, salário igual
A desigualdade salarial no esporte é uma das mais antigas. Uma pesquisa global de salários esportivos da Sporting Intelligence, em 2017, mostrou que, entre atletas de elite, mulheres ganham, em média, apenas 1% do que os homens ganham. Nenhuma mulher aparece na lista da Forbes de 2025 dos 50 atletas mais bem pagos do mundo, e a premiação no esporte feminino segue muito abaixo da dos homens. Em 2023, por exemplo, a Copa do Mundo Feminina pagou 150 milhões de dólares em premiação, alta de 300% em relação a 2019, mas ainda cerca de um terço dos 440 milhões pagos aos homens no Catar 2022.
Ao mesmo tempo, o investimento no esporte feminino cresce rápido. Em 2026, a Women’s National Basketball Association (WNBA) assinou o maior acordo de direitos de mídia da história do esporte feminino, um contrato histórico de 11 anos, no valor aproximado de 2,2 bilhões de dólares. Os acordos de patrocínio no esporte profissional feminino também aumentaram mais de 22% ano a ano.
Atletas e equipes de destaque vêm puxando o esforço por equidade salarial. O tênis foi o primeiro esporte a garantir prêmios iguais em grandes torneios. O US Open começou esse movimento em 1973, graças à militância de Billie Jean King e à criação da Women’s Tennis Association. Desde então, os quatro principais torneios de tênis (US Open, Australian Open, Roland Garros e Wimbledon) adotaram premiação igualitária. A Professional Squash Association, a World Surf League e algumas outras modalidades profissionais também igualaram as premiações entre homens e mulheres.
No futebol, a Noruega tornou-se o primeiro país, em 2017, a oferecer salários iguais a jogadoras e jogadores que representam a seleção em jogos internacionais, um movimento que estabeleceu um padrão e foi adotado desde então por federações em diversos países, incluindo Brasil, País de Gales e Austrália. Em 2022, a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos conquistou um acordo histórico de igualdade salarial após uma batalha judicial de anos, fixando paridade salarial em todos os jogos internacionais, incluindo a Copa do Mundo. O acordo incluiu ainda 22 milhões de dólares para compensar as jogadoras por discriminação no passado.
Apesar disso, muitas equipes femininas ainda enfrentam profundas desigualdades. Em 2024, o jogador médio da NBA ganhou cerca de 80 vezes mais do que a jogadora média da WNBA. Atletas mulheres continuam a enfrentar salários menores, menos oportunidades de patrocínio, menos tempo de transmissão e condições de jogo desiguais. O salário médio mensal de jogadoras da Primera División da Argentina é de 225 dólares, enquanto a seleção masculina, campeã do mundo em 2022, levou para casa 42 milhões de dólares. O calote salarial também é um problema, com equipes femininas na Jamaica, Colômbia, Nigéria e África do Sul relatando salários não pagos. Estudo recente da FIFPRO, o sindicato global de jogadores profissionais, descobriu que 29% das jogadoras entrevistadas não receberam qualquer pagamento de suas seleções nacionais pelas eliminatórias para a Copa do Mundo.
O céu é o limite
Os avanços e conquistas recentes do esporte feminino são, simplesmente, extraordinários. Enquanto o mundo se detém para celebrar essas vitórias, as vozes das mulheres no esporte precisam continuar ressoando pelo planeta. Suas histórias de resiliência e determinação inspirarão futuras gerações de meninas a sonhar grande e a perseguir suas paixões.
Continue torcendo, continue investindo, continue acreditando no enorme potencial das mulheres no esporte. Vamos construir um mundo onde toda menina saiba que o céu é o limite dentro e fora do campo.