Fatos e números: Mulheres no esporte
Date:
O mundo do esporte feminino passa por uma transformação profunda, ganhando atenção e reconhecimento sem precedentes. De recordes de público nos estádios à cobertura midiática crescente e ao aumento da participação, atletas mulheres estão remodelando o esporte dentro e fora de campo.
Marcos importantes dos últimos anos — incluindo os primeiros Jogos Olímpicos com paridade de gênero, em Paris, e o aumento da representação nos Jogos Paralímpicos, que chegou a 44% em 2024 — refletem o avanço rumo à igualdade de gênero no esporte. Ainda assim, grandes lacunas em salários, liderança, segurança e investimento permanecem. Conheça os fatos e números que moldam o futuro de mulheres e meninas no esporte, dentro e fora de campo.
Meninas e esporte
- O esporte é um grande facilitador para ensinar às meninas as habilidades de que precisam para avançar na vida. Meninas que praticam esporte desenvolvem autoestima, confiança, resiliência e aprendem a trabalhar em equipe. Tendem a permanecer mais tempo na escola, adiar a gravidez e conseguir empregos melhores.
- Oitenta por cento das CEOs mulheres das empresas da Fortune 500 praticaram esporte na infância e adolescência, evidenciando o profundo impacto da exposição precoce ao esporte no desenvolvimento de mulheres e em sua capacidade de alcançar todo o seu potencial.
- Noventa e dois por cento das audiências globais ouvidas pela Parity Now concordam que é importante que meninas pratiquem esporte enquanto crescem, sendo 61% que consideram “muito importante”.
- Apesar das evidências claras de benefícios, aos 14 anos meninas abandonam o esporte a uma taxa duas vezes maior que a dos meninos, devido a fatores como expectativas sociais, falta de investimento em programas de qualidade e outros.
Mídia e mulheres no esporte
O esporte feminino atravessa um momento de atenção sem precedentes, atraindo fãs e investidores dedicados.
O interesse pelo esporte feminino segue crescendo no mundo. Em 2024, cerca de 50% da população global afirmou acompanhar esportes femininos, contra 45% em 2022.
Só nos Estados Unidos, as audiências consumiram 46 bilhões de minutos de cobertura de esporte feminino em 2025.
O futebol feminino deve ter mais de 800 milhões de fãs globalmente até 2030, tornando-se um dos cinco principais esportes do mundo.
A Women’s National Basketball Association ampliou significativamente sua cobertura em horário nobre e em rede nacional em 2026, com parcerias de transmissão recordes e o WNBA All-Star Game exibido em horário nobre pelo terceiro ano consecutivo.
Cerca de 35 comentaristas mulheres foram contratadas pelos Olympic Broadcasting Services para Paris 2024, elevando o percentual de comentaristas mulheres a quase 40% — um aumento de quase 80% em relação a Tóquio 2020 e mais de 200% em relação ao Rio 2016.
A conversa nas redes sociais sobre esporte feminino subiu para 18,5% em 2022, marcando um aumento anual médio de 2,53% na participação.
Atletas mulheres exercem influência significativamente maior do que outros tipos de influenciadores. Oitenta e oito por cento consideram atletas profissionais mulheres como modelos de grande impacto para jovens mulheres.
As audiências de esporte feminino estão em alta. Sete em cada dez pessoas hoje assistem a esporte feminino. Quase 73% afirmam assistir a esportes femininos pelo menos algumas vezes por ano — não muito longe do percentual que assiste a esportes masculinos com a mesma frequência (81%).
Mais de 82 mil torcedoras e torcedores estiveram na final da Copa do Mundo de Rúgbi Feminino de 2025 em Twickenham, Reino Unido, enquanto a final da Copa do Mundo Feminina de Críquete ICC India 2025 atraiu 185 milhões de espectadores — equiparada à audiência da final masculina da Copa do Mundo T20 de Críquete em 2024.
Anteriormente, a Copa do Mundo Feminina da FIFA em 2023 havia sido o evento esportivo feminino mais assistido da história, com audiência global de quase 2 bilhões de espectadores.
Marcos do esporte feminino
Salários, premiações e patrocínios
Em 1973, o tênis abriu o caminho da equiparação das premiações, quando Billie Jean King fundou a Women’s Tennis Association. Hoje, os quatro principais torneios de tênis oferecem prêmios iguais.
Austrália, Noruega, Nova Zelândia e Brasil estão entre as federações nacionais de futebol que se comprometeram com salários iguais para seleções masculinas e femininas. Em 2022, a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos conquistou um acordo histórico de igualdade salarial após uma batalha judicial de anos, garantindo equiparação salarial em todos os jogos, inclusive na Copa do Mundo. O acordo incluiu ainda 22 milhões de dólares para compensar as jogadoras por discriminação no passado.
Em 2023, a Copa do Mundo Feminina pagou 150 milhões de dólares em premiação — alta de 300% em relação a 2019, mas ainda cerca de um terço dos 440 milhões pagos aos homens no Catar 2022.
A World Surf League (WSL) anunciou, em 2018, que pagaria premiação igual a atletas mulheres e homens em todos os eventos controlados pela WSL a partir da temporada 2019.
O Mundial de Squash Masculino da Professional Squash Association (PSA) de 2023 pagou 500 mil dólares em premiação por gênero, enquanto o Mundial Feminino da PSA de 2023 teve uma premiação maior que a masculina pela primeira vez na história do esporte.
O número de acordos de patrocínio no esporte profissional feminino aumentou mais de 22% ano a ano, segundo os dados mais recentes da Sports United.
Em 2026, a Women’s National Basketball Association (WNBA) assinou o maior acordo de direitos de mídia da história do esporte feminino — um contrato histórico de 11 anos, no valor aproximado de 2,2 bilhões de dólares.
Apesar dos rápidos avanços, lacunas importantes permanecem. Atletas mulheres continuam a enfrentar menos oportunidades profissionais, uma diferença salarial enorme, menos patrocínios, menor tempo de transmissão e condições de jogo desiguais.
Grandes diferenças salariais persistem. Em 2024, o jogador médio da NBA ganhava cerca de 80 vezes mais do que a jogadora média da WNBA — cujo salário ficava em torno de 127 mil dólares.
Não houve mulheres entre os 50 atletas mais bem pagos do mundo na lista da Forbes de 2025.
Lacunas de igualdade no esporte
Violência contra mulheres e meninas no esporte
- Mulheres e meninas sofrem violência em diferentes contextos e ambientes esportivos e em vários papéis — como atletas, técnicas, repórteres, terapeutas, árbitras e torcedoras.
- Embora os esforços para monitorar esses casos venham crescendo no mundo, há lacunas de dados sobre a magnitude e a prevalência da violência no esporte. Ainda assim, as pesquisas disponíveis, evidências anedóticas e relatos de experiências reais mostram que mulheres e meninas de todas as culturas enfrentam violência em ambientes esportivos, do assédio à agressão sexual.
- Quando a seleção feminina de futebol da Espanha levantou o troféu da Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2023 e uma das jogadoras foi alvo de um beijo não consentido pelo presidente da federação nacional de futebol, esse dirigente foi suspenso por três anos pela FIFA. O episódio deu origem a um movimento de apoio à seleção feminina e ampliou a consciência global sobre a prevalência desse tipo de abuso no esporte feminino. O caso contra o agressor segue em curso na justiça espanhola. Abusos sobre os quais as jogadoras vinham reclamando havia anos só foram levados a sério quando se desenrolaram diante de uma audiência global.
- As salvaguardas pensadas para proteger atletas mulheres de abuso sexual e psicológico são subfinanciadas e frequentemente ineficazes — ou simplesmente ignoradas. Já outras medidas de integridade esportiva, bem mais bem financiadas, tendem a focar em combate ao doping e à manipulação de resultados.
- Quase 21% das atletas profissionais mulheres relatam ter sofrido abuso sexual quando crianças no esporte — quase o dobro da taxa dos atletas homens, de 11%.
- Escândalos amplamente noticiados nos últimos anos envolveram ginástica, patinação artística, natação, nado sincronizado, futebol, basquete, polo aquático e taekwondo.
- Organizações esportivas tentaram, muitas vezes, encobrir casos de assédio e abuso para proteger suas reputações — como ocorreu na ginástica dos Estados Unidos. Graças à coragem das sobreviventes, conseguiu-se uma condenação com múltiplas sentenças de prisão perpétua, após décadas de abuso pelo médico da equipe.
Assédio e abuso online
Quando atletas mulheres alcançam o sucesso, enfrentam regularmente uma onda tóxica de abuso online — e até na mídia tradicional. Isso se soma ao assédio e abuso que enfrentam enquanto treinam e competem. E quando ousam falar, com frequência sofrem severas retaliações.
Um estudo da World Athletics constatou que 85% do abuso online no período que antecedeu e durante os Jogos Olímpicos de Tóquio foi dirigido a mulheres; 63% do abuso identificado foi direcionado a apenas duas atletas — ambas negras e mulheres.
Um estudo de acompanhamento no Twitter e Instagram, conduzido durante o Campeonato Mundial de Atletismo de Oregon 2022, encontrou que 40% das postagens abusivas tinham conteúdo sexualizado ou de abuso sexual, em sua imensa maioria voltadas a mulheres.
A BBC realizou uma terceira pesquisa com atletas mulheres de elite — mais de 30% afirmaram ter sofrido abuso grave online. A BBC passou a adotar medidas para enfrentar isso em seus próprios canais de redes sociais — além de reforçar o compromisso de ampliar o tempo de transmissão para o esporte feminino.
Em resposta ao abuso registrado em Tóquio, o Comitê Olímpico Internacional implementou nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris 2024 um serviço de proteção contra abuso cibernético disponível a todas as e todos os atletas em competição com perfis públicos em redes sociais.
Mulheres em posições de liderança no esporte
A liderança de mulheres no esporte é decisiva para impulsionar investimentos e melhorar as políticas esportivas relacionadas aos objetivos de igualdade de gênero. Houve progresso notável na última década, mas lacunas permanecem.
No Comitê Olímpico Internacional, 41% das pessoas membros são mulheres — 100% a mais que em 2013 —, com maior diversidade em idade e representação regional.
A representação paritária de gênero nas comissões do COI foi alcançada em 2022 e mantida em 2023, um marco histórico que corresponde a um aumento de 100% desde 2013. Quatorze das 33 comissões do COI, ou 42,4%, são presididas por mulheres; 33% dos membros do Conselho Executivo do COI são mulheres.
Em Tóquio 2020, apenas 13% dos treinadores eram mulheres.
Mulheres seguem significativamente sub-representadas em funções técnicas e de liderança. Segundo a FIFA, mulheres representam apenas cerca de 5% dos técnicos de futebol registrados no mundo.
Uma pesquisa de 2026 da Sport Integrity Global Alliance encontrou que mulheres ocupavam pouco mais de 32% dos cargos executivos nas federações esportivas internacionais.
A FIFA não teve nenhuma mulher em seu Comitê Executivo por mais de 100 anos. Em 2016, a FIFA nomeou sua primeira Secretária-Geral mulher. Em 2018, a FIFA lançou sua primeira estratégia global para a divisão de futebol feminino e, em 2019, comprometeu 1 bilhão de dólares para o futebol feminino.
Até 2026, cada uma das 211 associações-membro da FIFA contará com ao menos uma mulher em seu comitê executivo. Em maio de 2024, 83% das associações já tinham ao menos uma mulher no comitê executivo, ante 64% em 2019.
A International Surfing Association é pioneira em ampliar a representação de mulheres em posições de arbitragem. Por meio de seu programa de juízas, criado em 2020, a ISA vem promovendo mulheres nessa área.
[Estes fatos e números foram revisados em maio de 2026.]